domingo, 28 de junho de 2015

Vagante

Minhas pernas já sabem onde vão.
Caminham sós. 
Nãos as mando. 
Meu corpo sente o vento,
o frio e o calor do caminhar.
Mas minha mente. 
Onde está?

Minha alma vagueia.
Não sei livre. Não sei de longe.
Perdida. Talvez...
Ela vai onde não estou.
Onde não vou,
mas onde quero estar. 

Vagante está minha. 
Vagante é minha mente. 
Meu espírito. 
Vagante sou eu
aprisionado sobre um chão.
Rígido e frigido. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Reticências...

Sempre encarei o mundo com um olhar diferente. Imaginava que o mundo fosse um grande deserto. Um daqueles de filme de faroeste estadunidenses, onde galhos secos rolam de um lado para o outro a mercê dos ventos. Pemmmmmm... Estava errado. O mundo, na verdade, ou melhor, nós, somos marionetes na mão da moral social. Triste constatação. Triste realidade. Não? Não sei. Sei que sofremos com isso, mas sem esse manipulador seria o caos. Experimentaríamos o desconhecido. Talvez fosse bom. Talvez... Afinal, será que o caos é tão ruim?

Quando criança, apenas via. Enxergava assim. Não sentia. Até que veio a adolescência. Sentimentos para todos os lados. Saindo por onde menos esperamos e ficando retidos como um câncer. Amigos ficando para lá. Entre eles. Eu... Só. Escolhi isso. Sim, escolhi. Não sabia e nem compreendia ainda os desejos, sentimentos. Não entendia o sabor da vida. Ao menos não quis experimentar em sua totalidade que me era ofertada. Refugiei-me. Escondi. A igreja foi meu chão. Meu alicerce. Até então. 

Como rezei, orei. Fui quase padre. O medo me acovardou de tal decisão. Retirou-me de mais uma escolha. Não queria o compromisso, a responsabilidade. Como o medo é cruel. Me travou. Impediu de agir e mostrar meus sentimentos. Aqueles da adolescência que não quis mostrar, viver. Bosta de medo. 


Acho que sou um covarde. Um medroso. Me permito ficar nas mãos do titereiro. Oportunidades passaram por mim, e eu... As perdi. Simplesmente porque escolhi perder. Por medo. Como isso me deixa ridículo. Me escondi e hoje quero me mostrar. Sair do holofote. Do palco metódico da sociedade e viver fora de seu centro “bbbelístico”. Para isso, preciso me livrar dos receios. Receio do julgamento, condenação, dos olhares.

– Mas onde está sua coragem camarada – Diz minha consciência.

– Não sei. Não sei. Perdi. – Respondo.

São alguns anos já vividos. Bons anos. Apesar de minhas escolhas, fui feliz várias vezes. Mas, faltou coragem. Faltou ir além das reticências.

Admiro pessoas e sua coragem. Talvez um dia encontre a minha. Pode ser...

Hoje... Sinto-me como um eunuco. Incapaz de algumas funções básicas. Cheio de desejos. Condicionado a uma única opção. Irrealizáveis.

Esse sou eu. Pura reticência, mas com um grande pé na interrogação. Posso ser ponto final também. Mas sei que nada pode me mudar. Apenas me condicionar. Mudanças só eu posso fazer. Por enquanto, continuo sendo reticências:


...marcam uma suspensão da frase, devido, muitas vezes a elementos de natureza emocional. Empregam-se para representar, na escrita, hesitações.